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terça-feira, 8 de abril de 2014

Entrevista com o Pe. Francesco Rizzi



Queridos irmãos, queridas irmãs, a paz. Numa entrevista à Rádio Maria em março de 2008, o Pe. Francesco Rizzi, autor do livro “Medjugorje, o novo mundo de paz”, falou ao padre Livio Fanzaga sobre a tão famosa Paróquia de São Tiago Maior, a Paróquia de Medjugorje.
Padre Livio – Na sua opinião, por que será que as mesmas pessoas que costumam estar adormecidas em nossas paróquias vão em peregrinação a Medjugorje? Será que procuram por algo extraordinário ou seria porque nós não conseguimos acordá-las?
Padre Francesco - Padre Slavko escreveu num de seus livros que a mensagem mais importante de Medjugorje é a presença de Maria. Medjugorje é certamente um lugar de graça, os peregrinos quando chegam começam a rezar, sobem o Monte meditando a Via-Sacra, aproximam-se da igreja... e o que é que eles encontram? Encontram uma paróquia! 

Padre Livio - Este fato é fundamental, porque proporciona segurança no que diz respeito à fé. 
Padre Francesco – É verdade, e também tranquiliza os sacerdotes que vão a Medjugorje, porque eles podem celebrar a missa, confessar e animar os diversos momentos de oração. Durante estes anos, encontrei milhares de sacerdotes e dificilmente conheci sacerdotes que tenham ficado decepcionados com a experiência vivida em Medjugorje. 

Padre Livio - Mas isso também se aplica aos peregrinos: a maioria volta sempre feliz para casa. 
Padre Francesco - Sim, são como lâmpadas que se acendem. 

Padre Livio - Como explicar isso? Mesmo do ponto de vista arquitetônico, em Medjugorje não há nada fora do comum, não tem o fascínio que se pode encontrar em Lourdes ou Fátima. Existe apenas uma igreja simples, no entanto as pessoas voltam para casa felizes. 
Padre Francesco - É um milagre espiritual, é a graça do lugar, é a presença de Maria, é a abertura do coração através da oração. Através da adoração eucarística se reza com o coração e se abre o coração, e assim acontece uma verdadeira renovação espiritual. Muitos peregrinos já me disseram: “Padre, eu mudei de vida graças à experiência que vivi em Medjugorje”. 

Padre Livio - Numa mensagem de 1984, Nossa Senhora disse que havia escolhido a paróquia e que queria convertê-la, para que todas as pessoas que fossem àquele lugar se convertessem. Nossa Senhora parece assim ter escolhido uma paróquia para iniciar uma obra de renovação das paróquias no mundo. Agora, olhando para trás, vemos que este programa foi amplamente realizado, quando pensamos no número impressionante de sacerdotes que vão a Medjugorje todos os anos. Sabemos muito bem que nem mesmo a paróquia de Medjugorje é feita de anjos, mas de seres humanos com seus defeitos e suas limitações. Portanto, o que há de especial nesta paróquia? 
Padre Francesco - A paróquia obedece ao que Nossa Senhora pede. Por mais de 20 anos todos os dias na paróquia de Medjugorje se recitam os três terços, a santa missa diária, a adoração eucarística, também no programa da noite todos os dias há três horas de oração e, além disso, na sexta-feira a paróquia sobe o Monte da Cruz rezando e no domingo sobe o Monte das Aparições. Todos os dias, se faz uma média de quatro horas de oração na paróquia de Medjugorje, além das Missas celebradas em outras línguas. A força de Medjugorje, na minha opinião, além da presença de Maria, é justamente a força da oração. Isso me testemunharam muitos padres que foram a Medjugorje: quando voltaram para as suas próprias paróquias,  reintroduziram a prática da adoração eucarística e viram como as pessoas reagiram de forma positiva. Nossa Senhora nos ajudou a colocar Cristo no centro da atividade paroquial de Medjugorje. Você sabe como Nossa Senhora convidou, em particular, para a participação na Missa e a prática da confissão. Falando sobre a confissão, Nossa Senhora disse que é como um remédio. No entanto, muitos dizem, “mas eu não tenho nenhum pecado, por que preciso me confessar?” No entanto, Nossa Senhora nos ensinou que na confissão nós recebemos força, graça e luz para um bom combate espiritual. 


Padre Livio - Então Nossa Senhora organizou as atividades da paróquia em torno da oração católica, isto é, a Santa Missa e os sacramentos, especialmente a Confissão, que está em função da Eucaristia. 
Padre Francesco - Sim. Medjugorje hoje é conhecida mundialmente como o confessionário do mundo, porque o número de pessoas que se aproximam do sacramento da confissão é o mais alto em comparação com os outros santuários. 

Padre Livio - Na verdade, eu fiz uma turnê em todos os principais santuários da Europa, mas nenhum pode ser comparado a Medjugorje. Mas você também precisa reconhecer que, quando as pessoas veem os franciscanos, elas se sentem seguras, porque os frades são uma figura muito católica. Além disso, me vem sempre à mente a palavra que Jesus falou a São Francisco: “Vai, e renova minha igreja”. Então, eu percebo um chamado especial da ordem franciscana a este empenho. 
Padre Francesco - Acho que a vocação de Medjugorje a ser o confessionário do mundo nasceu no dia 2 de agosto de 1981, quando Nossa Senhora convidou os presentes a tocar nas Suas vestes, e logo depois os videntes perceberam que o vestido de Maria tinha ficado sujo. Nossa Senhora disse que Seu vestido tinha ficado sujo por causa daqueles que não estavam na graça de Deus, e convidou as pessoas a irem à igreja para confessar-se. Então todo o povo foi à igreja, e por dois dias se confessaram. Chamaram até mesmo os padres de outras paróquias franciscanas. Através dessas coisas, você pode ver como foi mesmo Nossa Senhora que guiou a paróquia. Trata-se de um acompanhamento espiritual de Maria, que nos mostra como viver a vida cristã e como realizar um verdadeiro caminho de conversão. A mensagem mais importante que Nossa Senhora nos deixou é justamente a conversão diária e o convite a pedir a fé a cada dia. 

Padre Livio - Não nos esqueçamos de que a conversão se concretiza exatamente com a confissão. É uma coisa incrível ver filas de pessoas que esperam até mesmo por três ou quatro horas para confessar-se. 
Padre Francesco - E isso acontece até mesmo no frio inverno... 

Padre Livio - Mas, então, o sacramento da confissão está realmente em crise, como muitos dizem, ou estamos em crise nós sacerdotes que não dedicamos tempo suficiente a ele? 
Padre Francesco - Aproximar-se do sacramento da confissão significa fazer a experiência da misericórdia de Deus. Eu gosto de falar sobre Medjugorje também como de um lugar de misericórdia, porque os peregrinos que chegam em Medjugorje se encontram com a misericórdia de Deus através do encontro e da mediação de Maria no sacramento da reconciliação. Os peregrinos se sentem acolhidos, amados, perdoados, e renascem espiritualmente. 

terça-feira, 18 de março de 2014

Entrevista com o Pe. Francesco Rizzi, autor do livro “Medjugorje. O novo mundo de paz”



Queridos irmãos, queridas irmãs, a paz! Em março de 2008, o Padre Livio Fanzaga entrevistou o sacerdote italiano, Pe. Francesco Rizzi, autor do livro “Medjugorje. O novo mundo de paz”. Pe. Francesco atuou em Medjugorje na recepção de peregrinos de língua italiana. Nas palavras de padre Lívio, “com seu livro Pe. Francesco pretende mostrar como as mensagens da Rainha da Paz estão em perfeita sintonia com a imagem de Nossa Senhora que a Igreja e a liturgia nos oferecem. É, portanto, um trabalho teológico-pastoral que visa demonstrar que o rosto da Rainha da Paz é exatamente o rosto de Maria que nós conhecemos pela fé”.

Padre Livio – Quantos anos o senhor tem?
Padre Francesco – O senhor diz que eu sou jovem, mas não muito! Tenho 42 anos de idade.
Padre Livio – Onde o senhor nasceu?
Padre Francesco - Eu nasci em Roma e sempre vivi em Roma. Tive meu primeiro encontro com Medjugorje há cerca de vinte anos atrás. Naquela época, eu era um jovem em busca, e agora digo brincando que aqueles três dias foram fatais para mim, porque foi ali que recebi a minha vocação franciscana. A primeira vez que fui a Medjugorje foi em julho de 1988. 

Padre Livio - Vejo que você é formado em economia e comércio. Estes estudos já estavam concluídos ou o senhor os terminou depois? 
Padre Francesco - Eu ainda precisava completá-los. Sabe, quando voltei para casa depois da experiência de Medjugorje, fiquei muito entusiasmado e me acontecia pensar: “Bem, talvez o Senhor não queira que eu continue meus estudos universitários”. Em vez disso, conheci um bom frei que me disse: “Não, não o deixo entrar na ordem se primeiro você não terminar regularmente seus estudos”. Então, eu terminei a faculdade e entrei na Ordem Franciscana em 1991.

Padre Livio - O que o impressionou na primeira vez que você esteve em Medjugorje? 
Padre Francesco - A primeira vez que fui a Medjugorje, fiquei impressionado com a grande paz que se respirava neste lugar, as pessoas que se encontravam, os peregrinos que rezavam, mas me impressionaram muito também os franciscanos: naquela época estava lá o Padre Slavko, que dirigia a oração e a adoração eucarística. Bem, talvez o que mais me impressionou de tudo tenha sido a adoração eucarística, eu me apaixonei imediatamente por ela. 

Padre Livio - Como você chegou a sentir o desejo de ir a Medjugorje? 
Padre Francesco - Eu tinha ouvido alguns amigos meus falarem sobre Medjugorje. A partir desse momento surgiu em mim um forte desejo de ir a Medjugorje. Eu disse: “Por que não fazer essa experiência?”. Então, fui lá de carro: pensar que a primeira vez que fui lá estava sozinho e não conhecia absolutamente o caminho! Na verdade, levei quase dois dias fazendo toda a volta pelo litoral. Naquela época não era possível telefonar com tanta facilidade como se pode fazer hoje, e em casa pensaram que eu tivesse me perdido. Naquela época ainda havia o comunismo e me disseram que até mesmo levar um rosário no bolso era perigoso e ele poderia ser confiscado. Quando cheguei na casa paroquial, encontrei o Padre Slavko, a quem perguntei onde poderia ir para dormir. Indicou-me um hotel, onde fiquei por dois ou três dias. Quando voltei para a Itália, pensei que se tratara de momento passageiro, mas quando, no ano seguinte, decidi retornar a Medjugorje, tomei consciência da minha vocação. 

Padre Livio - Então, a sua vocação franciscana nasceu em Medjugorje? 
Padre Francesco - Sim. Por algum tempo, pensei que poderia fazer uma outra escolha, como, por exemplo, a consagração. Depois, eu percebi que a minha verdadeira vocação era de natureza franciscana. Continuei meus estudos em Roma e, em seguida, entrei na ordem dos Frades Menores. 

Padre Livio - O que o senhor pensa do fato de ter recebido a vocação em Medjugorje e agora ter sido convidado a servir na paróquia de Medjugorje? 
Padre Francesco  Nunca tinha pensado em semelhante coisa. Foi por meio da decisão de meu Padre Provincial, Padre Aldo La Neve, que eu pedi para fazer uma experiência missionária fora do serviço na paróquia. E aconteceu justamente em Medjugorje. No meu primeiro ano, trabalhei no orfanato da Ir. Josipa, mantendo-me também no serviço da paróquia. Esta experiência está-se prolongando até hoje, e agora eu já estou aqui há quatro anos e meio.

Padre Livio - O que o senhor pode dizer sobre estes seus quatro anos e meio de sacerdócio num lugar particularmente desafiador? 
Padre Francesco - Como sacerdote, posso dizer-lhe que Nossa Senhora nos ajuda a entender melhor o Evangelho. Parece estranho, mas eu entendi o Evangelho graças às mensagens da Rainha da Paz, graças à oração, graças aos lugares e também graças aos peregrinos. Quando os peregrinos chegam, você vê que eles têm uma grande fome e sede de Deus. Na Itália, as pessoas, quando ouvem um sacerdote pregando, ficam sempre olhando o relógio; mas aqui é diferente, porque todos ficam muito mais atentos, todos escutam de bom grado a Catequese, participam da adoração eucarística, e ninguém deixa Medjugorje sem antes ter se confessado. Estamos sempre nos confessionários e vemos como todos os dias vêm pessoas que nos dizem que talvez há vinte, trinta, ou até mesmo 40 anos não se confessam. Isso acontece todos os dias, e para nós é normal. Especialmente quando começam as peregrinações de meados de março até novembro, quando ocorre a Solenidade da Imaculada Conceição, o Festival da Juventude, o evento para os sacerdotes... Os acontecimentos em Medjugorje são muitos e uma coisa que impressiona é o número crescente de peregrinos que chegam: no ano passado, segundo mostram os dados oficiais, tivemos mais de 2 milhões de visitantes e quase um terço deles era de italianos. 

Padre Livio - No ano anterior, no entanto, o número de peregrinos foi de um milhão e meio. 
Padre Francesco - Sim, de fato tem havido um aumento considerável e quem sabe quantos mais virão ainda este ano. 
(a ser continuado)

Traduzido do italiano para o português por Tania

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

“O que as pessoas encontram em Medjugorje?”, pelo Pe. Lívio Fanzaga




Queridos irmãos, queridas irmãs, a paz! O Pe. Livio Fanzaga faz uma breve análise daquilo que, desde o início dos anos oitenta, as pessoas encontram em Medjugorje uma aldeia remota que se tornou um dos maiores pontos de peregrinação do mundo atual mostrando a evolução que ocorreu no local:
Quem visita Medjugorje desde os primeiros anos tem assistido a mudanças consideráveis. No início, o único ponto de referência era a igreja paroquial com  a casa paroquial ao lado, não diferente das outras construções da vila, e que servia também de residência para os frades. Não havia hotéis e a acolhida ocorria em casas particulares. Os ônibus dos peregrinos tinham que se deslocar todos os dias a partir de locais mais distantes. Os habitantes eram pobres e se dedicavam, principalmente, ao cultivo do tabaco. No inverno, muitas vezes faltava luz e, consequentemente, também o aquecimento. Os banheiros dentro das casas eram uma raridade. No entanto, as dificuldades eram facilmente superadas por um fervor extraordinário que os habitantes, sempre discretos, comunicavam mais pelo exemplo do que por palavras. Nos quase quatro anos de guerra na Bósnia (1991-1994) os perigos e desconfortos se multiplicaram, mas o interesse pelas aparições não diminuiu e se assistiu a uma extraordinária prova de generosidade, que ainda não se  esgotou. 
Atualmente Medjugorje, de certa forma, não é mais reconhecível em relação às fotografias dos anos oitenta. Florescem pensões, lojas e  supermercados. Várias comunidades religiosas, algumas das quais nascidas das mensagens de Nossa Senhora, colocaram ali suas raízes. Quem pôde, construiu, e não apenas os habitantes locais.  

As pessoas do vilarejo que, apesar das mudanças no curso dos decênios, conservaram-se fieis à Rainha da Paz, não vivem mais da agricultura, mas da acolhida aos peregrinos. Não existem outras possibilidades para alimentar uma família. Também os videntes não têm alternativa. Pode-se tocar com a mão um certo bem-estar, mas não falta quem afirme que "antes" se vivia melhor, porque o tempo e o ritmo de trabalho no campo deixava mais espaço para a oração e para a vida de família. Agora, porém, é necessário dedicar o dia a preparar as refeições e arrumar os quartos.

A paróquia, porém, soube manter o tamanho apropriado, valorizando os espaços abertos. A Igreja das duas torres continua a ser o símbolo de Medjugorje.

A beleza de Medjugorje é o fato de que, apesar das mudanças, ela preservou os traços característicos e familiares de uma paróquia. Os peregrinos que ali vão de todas as partes do mundo não encontram nada de especial. No entanto, respiram uma atmosfera misteriosa que os rodeia e penetra na alma. Em nenhum outro lugar do mundo eu experimentei o que  sinto cada vez que volto lá. Do quê se trata? As pessoas dão por unanimidade testemunho de uma presença materna que o coração sente como um mar de ternura ao qual se abandonar. Não faltam os que vão à procura de sensações ou de sinais extraordinários, ou então dos videntes, com os quais querem conversar e fazer perguntas. Porém, tudo isso, no final, não tem nada a ver com a graça de Medjugorje. A Rainha da Paz afirmou que Ela aqui dá graças especiais, especialmente a compunção do coração, que é o primeiro passo no caminho da conversão. Tenho conhecido muitas pessoas que fizeram esta longa e árdua peregrinação e voltaram felizes e motivadas na vida cristã, sem terem visto qualquer vidente ou assistido a alguma aparição. 

O que torna Medjugorje um lugar único em comparação com todos os outros é o fato de que Nossa Senhora está presente ali de uma forma muito especial. As aparições são, sem dúvida, uma graça extraordinária. Os videntes expressam-se corretamente quando dizem que, em Medjugorje, Nossa Senhora vem todos os dias "viva", isto é, com o Seu corpo glorioso assim como está no céu. Esta é a diferença em relação aos outros santuários marianos, que também são lugares de graça e de bênção. Esta presença de Maria, que todo peregrino pode sentir se tiver um mínimo de disposição interior, é o que caracteriza o santuário de Medjugorje e o mantém sempre idêntico a si mesmo, depois de tanto tempo, apesar das mudanças externas." 
                                                                                                                                     Pe. Lívio Fanzaga

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Analogia com o segredo de Fátima




Foi a própria Rainha da Paz que afirmou ter vindo a Medjugorje para realizar o que havia começado em Fátima. Trata-se, portanto, de um único plano de salvação que deve ser considerado na unidade de seu desenvolvimento. Nesta perspectiva, ajudará, certamente, a compreender os dez segredos de Medjugorje uma associação com o segredo de Fátima. Trata-se de fazer analogias que ajudam a compreender em profundidade o que Nossa Senhora quer nos ensinar com a pedagogia dos segredos. E, de fato, é possível ver semelhanças e diferenças que iluminam e se sustentam  mutuamente.
Em primeiro lugar, é preciso dar uma resposta às perguntas de quem se tem perguntado que significado tinha para revelar a terceira parte do segredo de Fátima depois que ele já tinha se realizado. A profecia tem um grande valor apologético e salvífico se é revelado antes, e não depois. Em 13 de maio de 2000, quando em Fátima foi anunciado o terceiro segredo, um certo sentimento de decepção se espalhou entre a opinião pública, que esperava revelações sobre o futuro e não sobre o passado da humanidade.
Sem dúvida, o fato de se encontrar indicada, numa revelação dada em 1917, a trágica Via Sacra do mundo e em particular a sangrenta perseguição da Igreja, até o atentado contra João Paulo II, contribuiu para dar mais prestígio à mensagem de Fátima. No entanto, é legítimo perguntar por que Deus permitiu que a terceira parte do segredo fosse conhecido apenas no final do século, quando a Igreja, no ano da graça do Jubileu, voltava seu olhar para o terceiro milênio.
Nesse sentido, é razoável pensar que a Sabedoria Divina tinha permitido que somente então a profecia de 1917 fosse conhecida porque queria preparar desta forma a nossa geração  para o futuro iminente, marcado pelos segredos da Rainha da Paz. Olhando para o segredo de Fátima, para o seu conteúdo e para a sua realização extraordinária, somos capazes de levar a sério os segredos de Medjugorje. Estamos diante de uma maravilhosa pedagogia de Deus, que quer preparar espiritualmente os homens do nosso tempo para lidar com a mais grave crise da história, que não está atrás de nós, mas diante de nossos olhos. Os que ouviram a revelação do segredo, feita em 13 de maio de 2000 na grande esplanada da Cova da Iria, serão os mesmos que ouvirão a revelação dos segredos da Rainha da Paz três dias antes que se realizem.
Mas é sobretudo no que diz respeito ao conteúdo que é possível tirar lições úteis do segredo de Fátima. De fato, se o analisarmos em todas as suas partes, não diz respeito às convulsões no cosmos, como é típico em cenários apocalípticos, mas as subversões da história humana, atravessada por rajadas satânicas da negação de Deus, do ódio, da violência e da guerra. O segredo de Fátima é uma profecia sobre a disseminação da descrença e do pecado no mundo, com as nefastas consequências de destruição e de morte, e com a inevitável tentativa de destruir a Igreja. Protagonista negativo é o grande dragão vermelho que seduz o mundo e o atiça contra Deus, tentando levá-lo à ruína. Não é por nada que o cenário se abre com a visão do inferno e termina com o da cruz. É a tentativa de Satanás de arruinar o maior número possível de almas e, ao mesmo tempo, é a intervenção de Maria para salvá-las com o sangue e as orações dos mártires.
É razoável pensar que os segredos de Medjugorje evocam de novo, em substância, questões deste tipo. Por outro lado, os homens certamente não deixaram de ofender a Deus, como a Virgem lamentou em Fátima. Na verdade, podemos dizer que a onda lamacenta do mal não tem feito outra coisa senão crescer. O ateísmo de Estado desapareceu em muitos países, mas em todo o mundo progrediu uma visão materialista e ateísta da vida. A humanidade, no início do terceiro milênio, está longe de reconhecer e aceitar Jesus Cristo, o Rei da paz. Ao contrário, cresce a incredulidade e a imoralidade, o egoísmo e o ódio. Entramos numa fase da história em que os homens, instigados por Satanás, não hesitarão em tirar de seus arsenais os mais tremendos instrumentos de destruição e de morte.
Dizer que alguns aspectos dos segredos de Medjugorje possam dizer respeito a guerras catastróficas, em que sejam utilizadas armas de destruição em massa, como as armas nucleares, químicas e bacteriológicas,  significa, no fundo, fazer previsões humanamente fundamentadas e razoáveis. Por outro lado, não devemos esquecer que Nossa Senhora Se apresentou na pequena aldeia da Herzegovina como a Rainha da Paz. Ela disse que, com a oração e o jejum, se pode parar até as guerras, por mais violentas que sejam. A última década do século, com as guerras da Bósnia e do Kosovo, foi um ensaio geral, uma profecia do que poderia acontecer a esta humanidade tão afastada do Deus de amor.
Afirma João Paulo II que “no horizonte da civilização contemporânea –especialmente onde ela se apresenta mais desenvolvida, no sentido técnico-científico– os vestígios e os sinais de morte tornaram-se particularmente presentes e frequentes. Basta pensar na corrida aos armamentos e no perigo que ela comporta de uma autodestruição nuclear” (Dominum et Vivificantem 57). “A segunda metade do nosso século – como que em proporção com os erros e transgressões da nossa civilização contemporânea – contém em si por sua vez uma ameaça tão horrível de guerra nuclear, que não podemos pensar neste período senão em termos de acumulação incomparável de sofrimentos, que vão até à possível autodestruição da humanidade” (Salvifici Doloris, 8).   
No entanto, a terceira parte do segredo de Fátima, em vez de guerra, tem como objetivo destacar com cores dramáticas a feroz perseguição contra a Igreja, representada pelo bispo vestido de branco que sobe o Calvário acompanhado pelo povo de Deus.  Seria lícito perguntar-se se não haverá uma perseguição à Igreja ainda mais selvagem num futuro próximo? Neste momento, uma resposta afirmativa poderia parecer exagerada, porque hoje o diabo ganha suas vitórias mais marcantes com a arma da sedução, através da qual extingue a fé, esfria a caridade e esvazia as igrejas. No entanto, sinais crescentes de ódio anti-cristão, acompanhado por execuções sumárias, se “espalham pelo mundo. É de se esperar que o dragão “vomitará” (Apocalipse 12, 15) toda a sua fúria para perseguir aqueles que tiverem perseverado, em particular procurará aniquilar as fileiras de Maria, que Ela preparou neste tempo de graça que estamos vivendo.
“Depois disso, eu vi abrir-se  no céu o templo que encerra o tabernáculo do testemunho. Os sete anjos que tinham os sete flagelos saíram do templo, vestidos de linho puro e resplandecente, cingidos ao peito com cintos de ouro. Um dos quatro Animais deu-lhes então sete taças de ouro, cheias da ira de Deus que vive pelos séculos dos séculos. Encheu-se o templo de fumaça provinda da glória de Deus e do seu poder. E ninguém podia entrar, enquanto não se consumassem os sete flagelos dos sete anjos” (Apocalipse 15, 5-8).
Após o tempo de graça, durante o qual a Rainha da Paz reuniu os Seus na “Tenda do Testemunho”, começará o período dos sete flagelos, quando os anjos irão derramar as taças da ira de Deus sobre a terra? Antes de dar uma resposta a esta pergunta, é preciso entender o verdadeiro significado de “ira divina” e “flagelo”. Na verdade, o rosto de Deus é sempre o de amor, mesmo naqueles momentos em que as pessoas não conseguirão mais vê-lo.
Fonte: Tirado do livro “La donna e il drago” (“A mulher e o dragão”), do Padre Lívio Fanzaga.
 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Os dez segredos de Medjugorje, pelo Padre Lívio Fanzaga



O grande interesse pelas aparições de Medjugorje não se refere apenas ao acontecimento extraordinário que lá se está manifestando desde 1981, mas também, e cada vez mais, ao futuro imediato de toda a humanidade. A longa permanência da Rainha da Paz acontece em vista de uma passagem histórica repleta de perigos mortais. Os segredos que Nossa Senhora revelou aos videntes se referem a acontecimentos próximos, que a nossa geração vai testemunhar. Trata-se de uma perspectiva sobre o futuro, como tantas vezes acontece nas profecias, susceptível de levantar medos e dúvidas. A própria Rainha da Paz nos exorta a nos esforçarmos no caminho da conversão, sem nada conceder ao desejo humano de conhecer o futuro. No entanto, compreender a mensagem que a Santíssima Virgem nos quer transmitir com a pedagogia dos segredos é fundamental. De fato, Sua revelação representa, em última análise, um grande presente da divina misericórdia.
Em primeiro lugar é preciso dizer que os segredos, no sentido de acontecimentos que dizem respeito ao futuro da Igreja e do mundo, não são uma novidade das aparições de Medjugorje, mas eles têm um precedente de extraordinário impacto histórico no segredo de Fátima. Em 13 de julho de 1917, a Virgem Maria revelou em termos gerais, aos três pastorzinhos de Fátima, a dramática Via-Sacra da Igreja e da humanidade ao longo do século XX. Tudo o que Ela predisse foi plenamente realizado. Os segredos de Medjugorje se colocam sob essa luz, mesmo que a grande diversidade em relação ao segredo de Fátima esteja no fato de que cada um será revelado antes que aconteça. A pedagogia mariana do segredo, portanto, faz parte do plano divino de salvação que foi iniciado em Fátima e que, através de Medjugorje, abraça o futuro imediato.
Também deve ser enfatizado o fato de que a antecipação do futuro, que é a substância dos segredos, faz parte da maneira com a qual Deus Se revela na história. Toda a Sagrada Escritura é, num olhar mais atento,  uma grande profecia, especialmente seu último livro, o Apocalipse, que lança a luz divina sobre a última fase da história da salvação, a que vai da primeira à segunda vinda de Jesus Cristo. Ao revelar o futuro, Deus manifesta a Sua soberania sobre a história. Na verdade, só Ele pode saber com certeza o que vai acontecer. A realização dos segredos é um forte argumento de credibilidade da fé, bem como a ajuda que Deus oferece em situações muito difíceis. Em particular, os segredos de Medjugorje serão uma prova da verdade das aparições e uma manifestação grandiosa da misericórdia divina em vista do advento do novo mundo de paz.
O número dos segredos dados pela Rainha da Paz é relevante. Dez é um número bíblico, que recorda as dez pragas do Egito. Mas esta é uma abordagem arriscada, porque pelo menos um deles, o terceiro, não é um “castigo”, mas um sinal divino de salvação. Três dos videntes, os que não têm mais aparições diárias, mas anuais, afirmam já terem recebido dez segredos. Por outro lado, os outros três, aqueles que ainda têm as aparências diárias, receberam nove. Nenhum dos videntes conhece os segredos dos outros, e não falam disso uns com os outros. Supõe-se, contudo, que os segredos sejam iguais para todos. Mas só uma das videntes, Mirjana, recebeu da Virgem Maria a incumbência de revelá-los ao mundo antes que aconteçam.
Podemos, portanto, falar de dez segredos de Medjugorje. Eles dizem respeito a um futuro não muito distante, já que será Mirjana e um padre por ela escolhido que irão revelá-los. É razoável inferir que eles não comecem a ser realizados até terem sido revelados a todos os seis videntes. Aquilo que se pode saber dos segredos é assim sintetizado pela vidente Mirjana: “Eu tinha que escolher um sacerdote ao qual deveria dizer os dez segredos e escolhi o padre franciscano Petar Ljubicic. Dez dias antes, tenho que dizer a ele o que irá acontecer e onde. Precisamos passar sete dias em jejum e oração, e três dias antes ele terá que dizer a todos. Ele não tem o direito de escolher: dizer ou não dizer. Ele concordou que vai dizer tudo a todos três dias antes, assim se verá que é uma coisa do Senhor. Nossa Senhora sempre diz: ‘Não falem sobre os segredos, mas rezem e quem me sente como mãe e a Deus como Pai, não tem medo de nada’.”
Perguntada se os segredos se relacionam com a Igreja ou com o mundo, Mirjana respondeu: “Eu não quero ser tão precisa, porque os segredos são segredos. Digo apenas que os segredos se referem ao mundo inteiro”. No que diz respeito ao terceiro segredo, todos os videntes o conhecem e concordam em descrevê-lo: “Haverá um sinal na Colina das Aparições – disse Mirjana – como um presente para todos nós, para que se possa ver que Nossa Senhora está presente aqui como nossa mãe. Será um sinal lindo, que não pode ser feito com mãos humanas. É uma realidade que permanecerá, e que vem do Senhor”.
No que diz respeito ao sétimo segredo, Mirjana afirma: “Eu perguntei a Nossa Senhora, se era possível que pelo menos uma parte desse segredo mudasse. Ela respondeu que deveríamos rezar. Rezamos muito e Ela disse que uma parte tinha sido mudada, mas que agora não se poderia mudar mais, porque é vontade do Senhor que aquilo se realize”. Mirjana sustenta com grande convicção que agora nenhum dos dez segredos pode ser alterado. Eles serão anunciados ao mundo três dias antes, quando o sacerdote dirá o que irá acontecer e onde o acontecimento irá ocorrer. Em Mirjana (como nos outros videntes), há uma certeza interior, não tocada por qualquer dúvida, de que o que Nossa Senhora revelou nos dez segredos necessariamente se realizará.
Tirando o terceiro segredo, que é um “sinal” de extraordinária beleza, e o sétimo, que em termos apocalípticos poderiam ser chamados de “flagelo” (Apocalipse 15, 1), não se conhece o conteúdo dos outros segredos. Levantar hipóteses é sempre arriscado, como, aliás, demonstram as mais disparatadas interpretações da terceira parte do segredo de Fátima, antes que este fosse tornado público. Quando perguntada se os outros segredos são “negativos”, Mirjana respondeu: “Eu não posso dizer nada”. No entanto, é possível, refletindo-se de forma global sobre a presença da Rainha da Paz e sobre todas as Suas mensagens, chegar-se à conclusão de que o conjunto dos segredos dizem respeito ao bem supremo da paz que hoje está em risco, com grande perigo para o futuro do mundo.
Vê-se nos videntes de Medjugorje e, particularmente, em Mirjana, a quem Nossa Senhora confiou a grave responsabilidade de dar a conhecer os segredos ao mundo, uma atitude de grande serenidade. Estamos longe de um clima de angústia e opressão, que caracteriza não poucas supostas revelações. Na verdade, a saída final é cheia de luz e de esperança. Trata-se, em última análise, de uma passagem de extremo perigo da jornada humana, mas que irá levar ao golfo de luz de um mundo habitado pela paz. Nossa Senhora mesma, em Suas mensagens públicas, não faz menção aos segredos – embora Ela não silencie sobre os perigos que estão à nossa frente –, mas prefere olhar para o tempo de primavera em direção ao qual quer conduzir a humanidade.
Sem dúvida, a Mãe de Deus “não veio para nos atemorizar”, como gostam de repetir os videntes. Ela nos chama à conversão, não com ameaças, mas com um apelo de amor. No entanto, o seu grito: “Eu lhes suplico, arrependam-se!”, indica a gravidade da situação. A última década do século mostrou o quanto, justamente nos Balcãs, onde Nossa Senhora aparece, a paz estava em perigo. No início do novo milênio, nuvens ameaçadoras se adensaram no horizonte. Os meios de destruição em massa são susceptíveis de se tornarem protagonistas de um mundo cheio de descrença, de ódio e de medo. Será que chegamos ao momento dramático em que serão derramadas sobre a terra as sete taças da ira de Deus (cf. Ap 16, 1)? Poderia acaso haver um flagelo mais terrível e mais perigoso para o futuro do mundo do que uma guerra nuclear? Seria correto ler nos segredos de Medjugorje um sinal extremo da misericórdia divina na fase mais dramática da história da humanidade?
Fonte: Tirado do livro “La donna e il drago” (“A mulher e o dragão”), do Padre Lívio Fanzaga

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terça-feira, 13 de agosto de 2013

O milênio de Maria


 
Queridos irmãos, queridas irmãs, a paz! No texto abaixo, o Pe. Livio Fanzaga nos diz que no ato de consagração do milênio a Maria, o papa havia afirmado que a humanidade tem diante de si dois caminhos: ou ser levada à destruição da terra ou de transformar-se num oásis de paz. Nossa Senhora veio para ajudar-nos a escolher o caminho certo:
 
“As aparições de Nossa Senhora em Medjugorje, começadas em 1981, ainda estão em pleno desenvolvimento no início do terceiro milênio. Depois de tantos anos, a atenção das pessoas não caiu, na verdade continua ininterrupta a peregrinação mundial àquela pequena aldeia da Herzegovina, fazendo da igreja das duas torres um ponto de referência obrigatório para os devotos de Nossa Senhora. As mensagens de Maria chegam a qualquer lugar do mundo, alimentando a fé e a vida espiritual de um número incalculável de pessoas. Como um rio na cheia, a renovação espiritual que brota de Medjugorje banha todos os cantos da terra.

Durante os primeiros meses e anos das aparições, muitos se perguntavam até quando elas durariam. Ninguém teria podido imaginar uma permanência tão longa de Nossa Senhora e um envolvimento tão grande de pessoas de todos os povos e línguas. Por vezes, o evangelho da Santa Missa vespertina é lido em dezenas de línguas diferentes. É de se pensar que Maria queira convocar à Sua presença representantes de todas as nações. Especialmente em algumas circunstâncias, a impressão é a de um novo Pentecostes.

Sem dúvida, é lícito perguntar-se: qual será o desenvolvimento futuro? Devo  dizer logo que as mensagens da Rainha da Paz não têm nenhuma expectativa apocalíptica e não satisfazem a curiosidade generalizada acerca do futuro da humanidade. Nossa Senhora não veio fazer revelações de sabor milenarista,  mas sobretudo solicitar um caminho de fé e de conversão, que obterá para a humanidade a bênção de Deus e a realização do novo mundo de paz. O futuro, no fundo, está nas nossas mãos. Muito daquilo que vier a acontecer dependerá da nossa resposta ao apelo de Maria.

Os verdadeiros termos da questão foram colocados por João Paulo II, no ato de consagração do milênio a Maria. O Papa afirma que a humanidade tem diante de si dois caminhos: um, o de ser levada à destruição da terra, outro, o de transformá-la num oásis de paz. Nossa Senhora veio para ajudar-nos a tomar o caminho da salvação e não o da ruína. Sua mensagem fundamental é a de que, sem Deus, a humanidade não tem nem futuro, nem salvação eterna, enquanto que, retornando a Deus, o mundo chegará a um tempo de primavera.

Pessoalmente, não tenho nenhuma dúvida de que Nossa Senhora terá sucesso em Seu intento de conduzir a humanidade sobre o caminho da paz, entendido em seu significado bíblico de plenitude de bens materiais e espirituais. De fato, Maria veio a Medjugorje como Rainha, com uma coroa de doze estrelas ao redor da cabeça. A sua firme vontade de realizar tudo quanto Deus projetou emerge de muitas das Suas mensagens. Mas Ela precisa da nossa ajuda. ‘Ajudem-me a ajudá-los’ é uma das suas mais célebres expressões. Também os dez segredos, dos quais atualmente três dos seis videntes são portadores, devem ser enquadrados num futuro onde não faltarão as provas, mas que terá uma saída segura para a luz, se nossa resposta ao apelo de conversão for suficientemente amplo e convicto.

Durante todos esses anos, Nossa Senhora preparou um exército de devotos. São aqueles que, numa mão levam a cruz, e na outra a coroa do Rosário, como São Luis Maria Grignon de Montfort havia predito. São os apóstolos dos novos tempos de Maria, que ajudarão Nossa Senhora a preparar o triunfo do Seu Imaculado Coração, como foi profetizado em Fátima. Em quê consiste o triunfo do Coração materno de Maria, se não no retorno da humanidade a Deus? Então fluirão rios de paz divina sobre toda a terra. A consagração do novo milênio a Maria, desejada pelo Santo Padre por inspiração divina, enche os nossos corações com a esperança de que o plano da divina misericórdia se realizará.”

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A Gospa e a referência ao destino eterno


 Queridos irmãos, queridas irmãs, a paz! Neste texto, Pe. Lívio Fanzaga nos fala sobre o “drama” de Maria, que vem com todo amor até nós para nos ensinar o caminho da salvação, mas que não pode obrigar-nos a trilhá-lo.

“Em Medjugorje, Nossa Senhora não se limita, na sua longa e paciente catequese, a reiterar algumas verdades cristãs, mas se propõe a levar-nos de volta ao coração mesmo da fé e da visão cristã da vida. Ela lê no fundo dos corações e está bem consciente do quanto hoje penetrou, também no modo de pensar de muitos batizados, uma visão mundana da vida, onde Deus é esquecido e onde a vida após a morte é mal interpretada ou abertamente negada. Não são poucos os homens que pensam que ‘com a morte termina tudo’, como afirma o velho sacristão do famoso romance de Georges Bernanos, Diário de um pároco de aldeia. Estatísticas idôneas afirmam que um número preocupante de frequentadores da santa missa dominical têm dúvidas sobre a continuação da vida após a morte. Recentemente, alguns, não podendo negar a existência do inferno, claramente afirmada no Evangelho e pelo magistério da Igreja, insinuaram que ele estaria vazio ou que seria incompatível com a misericórdia de Deus. Além de tudo isso, deve-se observar o impressionante silêncio, nas pregações e na catequese, sobre a vida após a morte e sobre os temas clássicos em relação ao juízo: o purgatório, o inferno e o paraíso.
Diante dessa falta de perspectiva de eternidade e do vazio de esperança, seja em relação à própria vida pessoal ou à questão final da história humana, Nossa Senhora, solícita em primeiro lugar com a salvação eterna das almas, não poderia deixar de intervir com aquela eficácia que caracteriza suas intervenções maternas. Em Fátima, Nossa Senhora havia mostrado aos três pastorzinhos o inferno, pedindo-lhes orações e sacrifícios porque muitas almas se perdem pelo fato de que não há quem reze e se sacrifique por elas. Em Medjugorje, Ela faz muito mais. Não só, durante as aparições, mostra aos seis videntes o paraíso, o inferno e o purgatório, mas leva dois deles (Vicka e Jakov), juntos e com seus corpos, ao além, conduzindo-os fisicamente a contemplar o destino eterno das almas, numa experiência sem precedentes na história das aparições marianas.
Sem dúvida, fenômenos deste gênero, pela força emotiva e pela credibilidade humana que os caracterizam, têm um grande impacto sobre as pessoas, que redescobrem, através do testemunho dos videntes, a verdade sobre os ‘Novíssimos’, há muito tempo sepultados no esquecimento. Entretanto, é em suas mensagens que a Rainha da Paz não se cansa de recordar-nos que o nosso destino é o céu e que estamos de passagem sobre a terra. Com a delicadeza que a caracteriza, Nossa Senhora compara a nossa existência às flores de primavera, que são cheias de beleza e de esplendor, mas que passam rapidamente: ‘Filhinhos’, afirma com ternura materna, ‘não se esqueçam de que sua vida passa como uma florzinha de primavera, que hoje é maravilhosa, mas da qual amanhã não se encontra vestígio’.
Para uma geração que é incapaz de olhar para cima e para além do tempo finito, imersa nas coisas materiais e na perseguição de objetivos sem importância, Nossa Senhora lembra o destino eterno que a espera. ‘Filhinhos’, diz, ‘decidam-se seriamente por Deus, porque tudo o mais passa, só Deus permanece’. É impressionante como a Rainha da Paz nos recorda incessantemente as palavras do evangelho que nos dizem que a salvação da alma é o que há de mais importante na vida. Não hesita em afirmar que a razão última da sua longa permanência entre nós é a nossa felicidade eterna: ‘Deus me envia para ajudá-los e conduzi-los ao paraíso, que é a meta de vocês’. ‘Queridos filhos, eu estou com vocês para ajudá-los e conduzi-los ao céu. No céu existe a alegria: através dela, vocês já podem viver no céu desde agora (...). desejo conduzi-los todos à santidade completa. Desejo que cada um seja feliz aqui sobre a terra e que cada um de vocês esteja comigo no céu. Este é, queridos filhos, o objetivo da minha vinda aqui e o meu desejo’.
O programa de Maria é, portanto, a salvação eterna das almas. Ela deseja apresentar todos a Deus como um buquê de flores. Conseguirá? Ela afirma que verte lágrimas de sangue por cada filho que se perde. A salvação eterna das almas dependa da livre escolha de cada um e da ajuda que cada um de nós quiser dar com suas orações e sacrifícios.
‘Deus’, adverte a Rainha da Paz, ‘Se oferece e Se doa a vocês, mas deseja que respondam ao Seu chamado com plena liberdade’. É a liberdade de rejeitar o amor de Deus a razão última da existência do inferno. Para preservar-nos disso, Nossa Senhora nos ‘suplica’ que nos convertamos, chegando a dizer: ‘Deus deu a todos a liberdade, que Eu respeito com todo o amor, e Eu, na minha humildade, me inclino diante da liberdade de vocês’.
Nossa Senhora quer salvar e levar para o céu a nossa geração rebelde e incrédula. Porém, não pode obrigar-nos, mas apenas suplicar-nos que aceitemos o caminho da salvação que Ela nos indica.”

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A Rainha da Paz, mestra de oração

Queridos irmãos, queridas irmãs, a paz! Uma das coisas que mais chama a atenção de qualquer peregrino que chega a Medjugorje é o clima de oração e, consequentemente, de paz que ali reina. O Pe. Livio Fanzaga, um dos maiores divulgadores de Medjugorje, nos fala sobre isso.
 
“A ferramenta viva e eficaz com a qual Maria conduz a paróquia de São Tiago Maior, em Medjugorje, e os peregrinos ao coração da fé é a oração. Na oração, as verdades da fé se revestem de carne e osso e se tornam vivas. Maria é a oração viva e vem à terra para trazer a sua oração em meio a nós. Nas aparições diárias, Nossa Senhora vem, em primeiro lugar, para rezar conosco e por nós. Suas mensagens, inicialmente semanais e depois mensais, constituem uma catequese insuperável sobre a oração. A própria Rainha da Paz explicou que um dos motivos pelos quais permanece assim por tanto tempo entre nós é para nos ensinar a rezar.
Nossa Senhora traça, com grande sabedoria pedagógica, um caminho de oração. Por anos, Ela se empenha em conduzir os paroquianos ao próprio coração da oração. Isso pressupõe, no início, um esforço sobre a nossa natureza cansada e distraída, mas depois o coração se abre ao amor de Deus e a oração se torna um encontro com o Senhor. Aprende-se a rezar, rezando. Maria não dá lições teóricas, mas nos convida a rezar. ‘Não desejo’, diz, ‘que vocês falem da oração mas desejo que rezem’. Mas o que significa ‘rezar’? Significa descobrir a Deus, encontrá-lo, conhecê-lo e amá-lo. A oração é, na sua essência, uma experiência viva de Deus. Como não se pode viver sem Deus, assim não se pode viver sem oração Como Deus deve ser colocado em primeiro lugar, assim nada é mais importante do que a oração.
‘Rezem, rezem, rezem’ é o convite mais recorrente das mensagens. Por que é assim tão importante a oração para a nossa geração? Para dizer a verdade, também em Lourdes e em Fátima Nossa Senhora tinha dado uma importância fundamental à oração. De modo particular, em Lourdes Nossa Senhora pronunciou pouquíssimas palavras nas dezoito aparições, limitando-se o mais das vezes a desfiar a coroa do rosário, enquanto Bernadete o recitava. Em Medjugorje, a oração é apresentada por Maria como a atividade fundamental do homem e a ocupação mais importante do seu dia. ‘A oração seja vida para vocês’, afirma. Viver e rezar são a mesma coisa. Tudo deve ser transformado em oração, e as orações devem iluminar todo o dia.
Com o passar dos anos, os empenhos de oração pedidos pela Rainha da Paz aumentam. Ela deseja que se recite todos os dias o rosário completo. Convida para a santa missa diária, que em Medjugorje é sempre solene e com homilia. A santa missa é muitas vezes seguida de adoração noturna. Nos tempos da Quaresma, é pedida a Via Sacra. Os paroquianos às vezes mostram cansaço, e Nossa Senhora não hesita em reprová-los, dizendo: ‘Vocês rezam pouco’. Mas depois os encoraja, dizendo: ‘As suas orações me são necessárias’. Sobretudo, insiste sobre a oração em família. Deseja que cada família recite o santo rosário e que tenha uma Bíblia num lugar bem visível, de modo a ler um trecho todos os dias, para depois procurarem vivê-lo.
O resultado deste caminho de oração é a primeira coisa que salta aos olhos de um peregrino que chega a Medjugorje pela primeira vez. O grande vale verde circundado por montanhas é como um imenso templo a partir do qual a oração se eleva sem cessar da igreja, das casas, dos campos e das trilhas onde grupos de peregrinos se deslocam de um lugar para o outro, sempre rezando. Em Medjugorje, uma pessoa compreende que a oração é necessária para a vida espiritual como o ar que se respira e a água que se bebe.
‘Na oração vocês encontrarão a Deus’. Este é o remédio que Nossa Senhora oferece à nossa geração que perdeu a Deus porque parou de rezar. Certamente não é falando de Deus ou discutindo sobre Deus que os homens do nosso tempo reencontrarão a fé que perderam. É necessário que dobrem o joelho, que abram o coração e comecem a rezar. Na oração a alma se nutre de Deus. Depois da oração, estamos cheios da sua luz, da sua graça e do seu amor. No início, quando se dá os primeiros passos, não faltará o cansaço, mas depois ‘vocês rezarão com alegria’, assegura a Rainha da Paz. Quem, tendo sido colocado na escola de Maria, não fez esta experiência emocionante? Quantas pessoas, sobretudo jovens, chegando a Medjugorje cansados e desiludidos da vida, experimentaram a verdade deste diagnóstico da Rainha da Paz: ‘Sem a oração, sua vida é vazia’. Ao mesmo tempo, porém, compreenderam a validade da terapia proposta: ‘Vocês descobrirão o sentido da vida quando tiverem descoberto a Deus na oração’.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O Despertar da fé


Queridos irmãos, queridas irmãs, a paz! No texto abaixo, o Padre Lívio Fanzaga, diretor da Rádio Maria, na Itália, nos mostra como a Rainha da Paz vem, com tanto amor, a este mundo ateu e ateísta, para despertar a nossa fé.

“Convertei-vos e crede no Evangelho”: estas são as primeiras palavras de Jesus no início da vida pública. Também a Rainha da Paz liga intimamente o caminho de conversão ao despertar da fé. Assim como os homens se afastam de Deus devido à sua incredulidade, assim também podem retornar a Ele abrindo-se, na fé, à Sua misericórdia. Ela afirma muito claramente que uma das razões fundamentais para que Deus A tivesse enviado é o despertar da fé, começando exatamente pela paróquia de Medjugorje.
Nossa Senhora tem bem presente a situação da cristandade, a qual não apenas vive uma crise de fé, como nunca havia acontecido na história, mas segue velozmente em direção a uma visão ateia e materialista da vida, na qual não há mais lugar para Deus. Em La Salette, e também em Lourdes ou em Fátima, Nossa Senhora se limita a alguns chamados fundamentais, como a oração e a penitência, sempre necessárias para um povo de Deus exposto às tentações da tibieza e do compromisso. Agora a situação é radicalmente diferente. Não poderíamos explicar a catequese de tantos anos de Maria sem o gravíssimo perigo que o cristianismo está correndo de dissolver-se na apostasia e de desmoronarem seus fundamentos doutrinais bimilenares.
O que preocupa Nossa Senhora é uma visão prática da vida, agora com um modo padronizado de pensar e de viver de não poucos fieis, onde não existe mais lugar nem para Deus, nem para a alma, nem para a vida eterna. Uma análise atenta de suas mensagens nos induz a afirmar que o primeiro objetivo que Maria se propõe é o de fazer com que uma geração, que perdeu a Deus, O redescubra, geração esta que O sacrificou aos bens materiais e à soberba ilusão de construir um mundo sem Ele.
O mesmo convite, repetido em quase todas as mensagens, de dedicar-se à oração, tem como objetivo descobrir a Deus na própria vida. É fazendo a experiência de Deus na oração que o homem pode de novo compreender a grandeza e a beleza da vida e colocá-la como um caminho para a eternidade. Descobrir Deus, decidir-se por Ele e dar-lhe o primeiro lugar é um dos temas fundamentais da catequese da Serva do Senhor, cujas mensagens, pensando bem, clamam todas: “Deus!”.
Para a Rainha da Paz, Deus é o Pai que ama infinitamente todos os homens, também os que não conhecem o Seu amor, é o Filho, que sacrificou a si próprio sobre a cruz para salvar-nos, é o Espírito Santo, que nos ilumina no caminho da fé e nos sustenta no caminho da santidade. É maravilhoso constatar como nas mensagens se delineia, com uma linguagem simples mas, ao mesmo tempo, sublime, o vasto panorama das verdades da fé católica. É um catecismo completo, com o qual o fiel se sente em perfeita sintonia, onde as verdades não são afirmações abstratas, mas alimento revigorante para a própria vida espiritual.
E a Mãe de Deus tem bem presente a devastação da fé que o processo de secularização provocou no coração de muitos cristãos. Com uma sabedoria e uma paciência verdadeiramente divinas, a Santa Virgem conduz os próprios videntes, toda a paróquia e, enfim, os milhões de peregrinos, ao centro vital do cristianismo, que é a pessoa de Jesus Cristo vivo na Sua Igreja. Ela o faz de um modo muito concreto e eficaz. Desde os primeiros dias, ensina as pessoas a recitarem o Creio no início do Santo Rosário. Então convida toda  paróquia para a Santa Missa quotidiana, fazendo da Eucaristia o coração da experiência de fé.
Nossa Senhora não se limita a exortações gerais, mas entra também nas particulares, como faria todo bom pároco. Deseja que também as crianças vão à Santa Missa, mas afirma que é preciso cuidar para que todos participem de um modo ordenado e devoto. É por vontade da Rainha da Paz que em Medjugorje a Adoração Eucarística assumiu uma importância especial, que o inesquecível padre Slavko honrou com a sua dedicação e a sua devoção, fazendo delas um momento de grande experiência de fé e de glorificação do Senhor ressuscitado, realmente presente em meio a nós.
Num tempo em que o sacramento da confissão vive um momento de crise e de abandono por parte de não poucos cristãos, a Rainha da Paz ajuda os paroquianos a descobri-lo em todo o seu valor para caminharem em frente no caminho espiritual, chegando a recomendar a confissão mensal e, depois, segundo as necessidades pessoais. Em seguida, adverte que não se deve limitar-se a confessar os pecados, mas deve-se pedir ao confessor algum conselho para se dar um passo em frente no caminho da santidade.
Uma particular importância tem, em Medjugorje, o mistério da Cruz. Não muito longe da colina das primeiras aparições, eleva-se um monte chamado Krizevac, que significa “Monte da Cruz”, porque em seu cume se ergue uma gigantesca cruz de cimento, que os paroquianos construíram no distante ano de 1933. “Também aquela cruz estava nos planos de Deus”, afirmou Nossa Senhora.
De fato, em seu ensino, Maria nos conduz ao coração mesmo do qual brota a salvação, que é o sofrimento de Jesus. Nossa Senhora convida frequentemente a subir o Krizevac, meditando as estações da Via Sacra. Durante a Quaresma, exorta a que se recite o Rosário de joelhos diante do crucifixo, para que os paroquianos pudessem compreender o quanto Jesus sofreu também pelos pecados da paróquia. Por duas vezes, durante a aparição, Nossa Senhora mostrou aos seis videntes “Ecce homo”, isto é, Jesus flagelado, cuspido e coroado de espinhos, dizendo: “Eis o quanto Jesus sofreu por nós”. Sim, também Maria se coloca entre aqueles que receberam a graça da redenção, porque também Ela, desde o primeiro instante da Sua concepção, foi cheia da graça que o Crucificado mereceu com a Sua paixão e morte.
Num momento em que não poucos se envergonham da cruz de Cristo e procuram retirá-la do cristianismo, Nossa Senhora nos lembra que da Cruz vem a nossa salvação. Não só isso, mas ensina a amar a Cruz, a suportar as perseguições, a aceitar os sofrimentos como uma graça e a vivê-los com alegria, porque através deles podemos cooperar com a nossa salvação e com a salvação do mundo, em união com Jesus Cristo crucificado.

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