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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Orlando Fedeli

Orlando Fedeli fez fama na internet por sua postura ácida, pouco caridosa, como que a resumir todo o Evangelho na passagem em que Nosso Senhor, movido pela ira santa, expulsa os vendilhões do Templo. Ao lado disso, um tradicionalismo intransigente, nada afeito ao diálogo, e, ousamos dizer, com doses cavalares de distorção.

Bem diferente, é bom frisar, de outros tradicionalistas com quem tomamos contato – como a FSSPX, por exemplo –, ou dos sedevacantistas. Deles também discordamos, mas o diálogo é respeitoso e não se vê má-fé em seus discursos. A FSSPX, por exemplo, mesmo antes da retirada das excomunhões, nunca negou que Bento XVI apóia o Concílio Vaticano II e o novo rito da Missa. Também agem assim os sedevacantistas – e é esse um dos motivos de negarem legitimidade ao Papa reinante.

Fedeli não é assim. Desde a eleição de Bento XVI, apostou em uma tese: este é o Papa contrário ao Vaticano II, que irá revogá-lo, combatê-lo, rasgar o novo Missal...“Estranhamente”, o Romano Pontífice, embora tenha um especial carinho pelo rito antigo da Missa e o tenha autorizado universalmente, sem necessidade de audiência aos Bispos locais, não só continua autorizando o rito moderno, como celebra, diariamente, com o novo Missal, e, mais ainda, fez alguns ajustes nele agora em sua reimpressão da terceira edição típica latina. Fedeli, quando do Motu Próprio, insistia, porém, que o Papa estava acabando com a “Missa Nova”... Vimos, pois, não ser verdade.

O Papa, enfim, fez inúmeros, dezenas, quiçá centenas, de discursos, em que exaltava o Concílio. Mesmo que tenha dito, também, que era preciso interpretá-lo adequadamente, condenando, aliás, o tal “espírito do Concílio” – coisa que Paulo VI e João Paulo II também fizeram, saliente-se –, nunca se posicionou contra esse sínodo. Aliás, citou várias vezes seus textos e o elogiou efusivamente. Chegou a proclamar, quase que solenemente, que o Concílio Ecumênico Vaticano II é a diretriz de seu pontificado.

Quando atacou os que, em nome do Concílio, rompem com a Tradição, condenou também os que, em nome da Tradição, rompem com o Concílio. Os dois devem estar atrelados: é o que Bento XVI chamou de “hermenêutica da continuidade”. Isso, porém, Fedeli não leu, e, se leu, não entendeu, ou, se entendeu, distorceu... Não me surpreende.

Agora, por ocasião do levantamento das excomunhões dos quatro Bispos sagrados por D. Marcel Lefebvre, Orlando Fedeli apronta mais uma de suas molecagens. Disse, em dois artigos – Glória a Dom Lefebvre e a Dom Mayer e Justiça e coragem de Bento XVI –, que, com tal gesto, o Papa estaria, implicitamente, reconhecendo os erros do Concílio, autorizando que se possa atacá-lo, e que quem estava com a razão era D. Lefebvre. Nada mais tosco e mentiroso! Que estripulia o senhor fez, Professor Fedeli! Onde se lia “x”, o senhor leu o alfabeto inteiro.

Pois bem, um dos erros de Fedeli já demonstramos neste artigo do Alessandro Lima. Bento XVI não “desexcomungou” Lefebvre: apenas os quatro Bispos. Outros erros são refutados aqui .
Trato agora de refutar o novo erro do professor. Mais um... Sim, está ficando feio. Apostou no Papa anti-Vaticano II e errou. Melhor seria Fedeli dizer: “pois é, pessoal da Montfort, achei que Bento XVI iria acabar com o rito novo e o Concílio, mas me enganei; esse Papa é modernista”. Enquanto todos os demais tradicionalistas sempre viram em Bento XVI um defensor do Vaticano II e do rito novo, e, por isso mesmo, é que mantinham suas reservas ao Papa – um erro, claro, mas um erro, ao menos, honesto –, Orlando Fedeli convocou o Pontífice para suas hostes: fez das palavras do Papa e de seus atos um testemunho contra o Concílio. Mesmo que, pasmem, o Papa não só nunca tenha pronunciado uma condenação ao Vaticano II, como, ao contrário, o tenha elogiado e exaltado! Um erro honesto é o de se colocar contra o Papa porque ele defende o Concílio. O que dizer, porém, da atitude de ser contra o Concílio também, mas querer, a todo custo, que o Papa também seja?

Que a Montfort queira atacar o Concílio e a “Missa Nova”, isso se compreende. O que não podemos tolerar é que coloque o Papa no meio disso tudo, como que a corroborar as teses fedelistas. Faça Orlando Fedeli seus ataques em seu próprio nome, não no do Papa. Não coloque palavras na boca do Romano Pontífice! Não queira trazer Bento XVI para o seu “time”.

O fato é que Fedeli fez uma profecia: Bento XVI é anti-Vaticano II e anti-Missa nova. Deu com os burros n’água! Em vez de voltar atrás, permaneceu no erro e fez mais acrobacias teológicas para justificar o injustificável. Claro, Fedeli nunca erra. Briga com todos, desde sua época na TFP. Nenhum grupo presta. Nem a TFP da qual fez parte. Nem D. Mayer, com quem rompeu depois de ter feito toda a fofoca contra a TFP, logrando que o Bispo não mais apoiasse a entidade. Nem Campos quando no cisma, nem Campos quando depois dos acordos. Nem a FSSPX, que ele sempre atacou, mas que agora tenta acolher, posando de bonzinho.

Mais honroso é dizer, professor, com todas as letras: o Papa é pró-Concílio. É assim que fizeram a FSSPX e os sedevacantistas. É assim que faz D. Lourenço Fleischman, OSB.
Neste ponto, sugerimos a leitura do seguinte artigo, do Marcos Grillo, antes de continuar a leitura deste nosso: AFINAL, BENTO XVI É FAVORÁVEL OU CONTRÁRIO AO CONCÍLIO VATICANO II?
Pois bem, dizíamos que iríamos refutar Fedeli. Não vamos mais. Deixamos essa tarefa para a Igreja, mediante o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.
Deliciem-se e, após a leitura, não deixem de fazer a mesma pergunta que vai no título deste despretensioso texto.

L'Osservatore Romano: Gesto de misericórdia do Papa deve alentar acatamento do Vaticano II
ROMA, 25 Jan. 09 / 05:35 pm (ACI).- O editorial deste domingo de L'Osservatore Romano, titulado "O Vaticano II e o gesto de paz do Papa", destaca que a decisão de Bento XVI de levantar a excomunhão aos 4 bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre é um "gesto de misericórdia" que deve alentar aos membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a acatar o Concílio Vaticano II que "após meio século de seu anúncio está vivo na Igreja".
No texto se lembra que "faz meio século, em 25 de janeiro de 1959, o anúncio do Vaticano II por parte de João XXIII foi uma grande surpresa, que ultrapassou os limites visíveis da Igreja Católica. Já no dia seguinte o Arcebispo de Milão –que em 1963 se converteria em Paulo VI– definiu o futuro Concilio como um 'acontecimento histórico de enorme grandeza', quer dizer 'grande hoje, amanhã, grande para os povos e para os corações humanos, grande para toda a Igreja e para toda a humanidade'".
Paulo VI, prossegue a nota editorial, seguindo os passos de João XXIII "viu rapidamente e com claridade, as perspectivas históricas e religiosas do Vaticano II: a mais vasta assembléia celebrada na história foi intuída e aberta por um Papa de 78 anos, um século depois da interrupção do Vaticano I (querido por Pio IX quase na mesma idade), levando com valor a sua realização uma idéia já ventilada sob o Pontificado de Pio XI e Pio XII".
Seguidamente a nota, assinada pelo diretor do jornal do Vaticano, Giovanni Maria Vian, explica que a aplicação do Concílio Vaticano II não foi fácil "pela incidência das decisões conciliar na vida da Igreja, na liturgia, na missão, nas relações com as outras confissões cristãs, com o judaísmo, com as outras religiões, com a afirmação da liberdade religiosa, na atitude para o mundo".
"O último Papa, Bento XVI, ao ter participado plenamente e com paixão –como um teólogo novíssimo– no concílio, delineou em 2005 a interpretação católica do Vaticano II: um acontecimento que é lido não na lógica de uma discontinuidade que, absolutizando-o, isolaria-o da tradição; senão na da reforma, que o abre ao futuro. Um concílio que, como todos os outros, deve inserir-se na história e não ser mitificado, inseparável de seus textos, que propriamente do ponto de vista histórico não podem ser contrapostos a um suposto 'espírito' do Vaticano II".
O editorial, cuja data coincide além com a Festa da Conversão de São Paulo, resenha logo que "os bons frutos do Concílio são inumeráveis e entre estes aparece agora o gesto de misericórdia relacionado aos bispos excomungados em 1988".
"Um gesto –continua– que João XXIII e seus sucessores teriam gostado muito, em um oferecimento limpo que Bento XVI, Papa de paz, quis fazer público ao coincidir o aniversário do anúncio do Vaticano II, com a intenção clara de ver logo sanada uma fratura dolorosa. Intenção que não será ofuscada por inaceitáveis opiniões negacionistas e atitudes para o judaísmo de alguns membros da comunidade aos que o Bispo de Roma tende a mão".
Finalmente, a nota precisa que "após meio século do anúncio, o Vaticano II está vivo na Igreja. Assim também o Concílio fica em mãos de todo fiel para que mais forte e claro seja o testemunho no mundo de quantos acreditam em Cristo".

O Pe. Lombardi comenta em Rádio Vaticano a suspensão das excomunhões
VATICANO, 25 Jan. 09 / 10:34 pm (ACI).- O Pe. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, comentou este sábado, através de Rádio Vaticano, a decisão do Papa Bento XVI de levantar a excomunhão que pesava sobre os quatro bispos ordenados sem consentimento da Sé Apostólica por Dom Marcel Lefebvre.
“A Semana de oração para  a unidade dos cristãos  se conclui com uma  formosa notícia, que auguramos seja fonte de gozo em toda a Igreja. O levantamento da excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade sacerdotal São Pio X é em efeito um passo fundamental para alcançar a reconciliação definitiva com o movimento iniciado e guiado por Dom Marcel Lefebvre”.
“Para compreender o significado deste passo -explicou o Pe. Lombardi-,  voltam imediatamente para a mente as palavras do Papa Bento XVI em sua carta de introdução ao Motu Próprio Summorum Pontificum de 7 de julho de 2007, quando escrevia que ao olhar no passado as divisões que no curso dos séculos rasgaram o Corpo de Cristo faz pensar que com freqüência as omissões da Igreja provocaram a consolidação das divisões. Assim, escrevia o Papa: ‘temos a obrigação de fazer todos os esforços para que todos aqueles que verdadeiramente têm o desejo da unidade, seja-lhes possível permanecer nesta unidade ou voltar a encontrá-la... Abramos generosamente nosso coração ...’”, citou o Porta-voz da Santa Sé.
“O Cardeal Ratzinger -prosseguiu-  foi protagonista das relações com Dom Lefebvre em  1988 e já após tinha tratado de fazer tudo quanto foi possível para servir à união da Igreja. Então não foi suficiente e as consagrações episcopais de 30 de junho daquele ano, realizadas sem mandato pontifício, criaram uma situação de grave ruptura”.
“Mas a Comissão Ecclesia Dei, constituída por João Paulo II naquela circunstância, trabalhou com paciência para manter abertas as vias do diálogo e distintas comunidades unidas de diversos modo ao movimento Lefebvrista puderam já, no curso dos anos, voltar a recuperar a plena comunhão com a Igreja católica”, adicionou.
Entretanto, “a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com quatro bispos, seguia sendo, em todo caso, a comunidade mais importante com a qual restabelecer a comunhão. Bento XVI manifestou que de maneira indubitável seu compromisso por fazer tudo o possível para alcançar este objetivo. Lembremos naturalmente acima de tudo o Motu Proprio Summorum Pontificum sobre o rito para a celebração da Missa,  mas podemos também lembrar o documento da Congregação da Doutrina da Fé que esclarecia alguns pontos discutidos da doutrina eclesiológica do Concílio Vaticano II, assim como algumas grandes intervenções  sobre a correta hermenêutica  do mesmo Concílio, em continuidade com a tradição".
“Tudo isto –prosseguiu o Pe. Lombardi- criou naturalmente um clima favorável, no que os bispos da Fraternidade São Pio X pediram o levantamento da excomunhão testemunhando explicitamente sua vontade de estar na Igreja católica romana e de acreditar firmemente no primado do Pedro”.
Por eles, “é formoso que o levantamento da excomunhão tenha lugar no iminente 50º aniversário do anúncio do Concílio Vaticano II, de maneira que este evento fundamental não possa agora ser jamais considerado como um motivo de tensão; mas sim de comunhão".
“O texto do decreto põe em evidência que, de por si, está-se ainda em caminho para a plena comunhão, da que o Santo Padre deseja a solícita realização. Por exemplo, aspectos como o estatuto da Fraternidade e dos sacerdotes que pertencem a ela não são definidos no decreto publicado hoje”, adicionou.
“Mas a oração da Igreja está toda ela unida a do Papa, para que se supere logo toda dificuldade e se possa falar de comunhão em sentido pleno e sem incerteza alguma”, concluiu.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A Igreja e a salvação dos não-católicos


Caro Visitante, aqui vão alguns passos da Declaração Dominus Iesus, aprovada pelo Papa joão Paulo II, que tanta polêmica suscitou, mas que exprime perfeitamente a verdadeira fé da Igreja de Cristo. Às vezes, temos a tentação de imaginar uma Igreja da nossa cabeça e à nossa medida. Então, deliramos! Quem se interessar em saber a real doutrina da Igreja sobre a possibilidade de salvação para quem não está nela visivelmente, pode ler quanto segue... Ao ser ordenado, jurei pregar e defender a fé católica, em comunhão com o Papa e em plena fidelidade ao Magistério. Por isso transcrevo com alegria estas linhas. Não são minhas; sou apenas um simples divulgador da fé da Igreja de Cristo...

No. 16: Assim, e em relação com a unicidade e universalidade da mediação salvífica de Jesus Cristo, deve crer-se firmemente como verdade de fé católica a unicidade da Igreja por Ele fundada. Como existe um só Cristo, também existe um só seu Corpo e uma só sua Esposa: «uma só Igreja católica e apostólica». Por outro lado, as promessas do Senhor de nunca abandonar a sua Igreja (cf. Mt 16,18; 28,20) e de guiá-la com o seu Espírito (cf. Jo 16,13) comportam que, segundo a fé católica, a unicidade e unidade, bem como tudo o que concerne a integridade da Igreja, jamais virão a faltar.


Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica — radicada na sucessão apostólica — entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: «Esta é a única Igreja de Cristo [...] que o nosso Salvador, depois da sua ressurreição, confiou a Pedro para apascentar (cf. Jo 21,17), encarregando-o a Ele e aos demais Apóstolos de a difundirem e de a governarem (cf. Mt 28,18ss.); levantando-a para sempre como coluna e esteio da verdade (cf. 1Tm 3,15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste [subsistit in] na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele». Com a expressão «subsistit in», o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que «existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua composição », isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica[1]. Acerca destas, porém, deve afirmar-se que «o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica».

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[1] É, portanto, contrária ao significado autêntico do texto do Concílio a interpretação que leva a deduzir da fórmula subsistit in a tese, segundo a qual, a única Igreja de Cristo poderia também subsistir em Igrejas e Comunidades eclesiais não católicas. «O Concílio, invés, adotou a palavra “subsistit” precisamente para esclarecer que existe uma só “subsistência” da verdadeira Igreja, ao passo que fora da sua composição visível existem apenas “elementa Ecclesiae”, que — por serem elementos da própria Igreja — tendem e conduzem para a Igreja Católica» [Congr. para a Doutrina da Fé, Notificação sobre o volume “Igreja: carisma e poder” do Fr. Leonardo Boff: AAS 77 (1985) 756-762].

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No.17: Existe portanto uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares. Por isso, também nestas Igrejas está presente e atua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objetivamente tem e exerce sobre toda a Igreja.

As Comunidades eclesiais, invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, não são Igrejas em sentido próprio. Os que, porém, foram batizados nestas Comunidades estão pelo Batismo incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que imperfeita, com a Igreja. O Batismo, efetivamente, tende por si ao completo desenvolvimento da vida em Cristo, através da íntegra profissão de fé, da Eucaristia e da plena comunhão na Igreja.

«Os fiéis não podem, por conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma — diferenciada e, de certo modo, também unitária — das Igrejas e Comunidades eclesiais; nem lhes é permitido pensar que a Igreja de Cristo hoje já não exista em parte alguma, tornando-se, assim, um mero objeto de procura por parte de todas as Igrejas e Comunidades». «Os elementos desta Igreja já realizada existem, reunidos na sua plenitude, na Igreja Católica e, sem essa plenitude, nas demais Comunidades». «Por isso, as próprias Igrejas e Comunidades separadas, embora pensemos que têm faltas, não se pode dizer que não tenham peso no mistério da salvação ou sejam vazias de significado, já que o Espírito Se não recusa a servir-Se delas como de instrumentos de salvação, cujo valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica».

A falta de unidade entre os cristãos é certamente uma ferida para a Igreja; não no sentido de estar privada da sua unidade, mas «porque a divisão é um obstáculo à plena realização da sua universalidade na história».

No. 20: Antes de mais, deve crer-se firmemente que a « Igreja, peregrina na terra, é necessária para a salvação. Só Cristo é mediador e caminho de salvação; ora, Ele torna-se-nos presente no seu Corpo que é a Igreja; e, ao inculcar por palavras explícitas a necessidade da fé e do Baptismo (cf. Mc 16,16; Jo 3,5), corroborou ao mesmo tempo a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo Baptismo tal como por uma porta ». Esta doutrina não se contrapõe à vontade salvífica universal de Deus (cf. 1 Tim 2,4); daí « a necessidade de manter unidas estas duas verdades: a real possibilidade de salvação em Cristo para todos os homens, e a necessidade da Igreja para essa salvação ».

A Igreja é « sacramento universal de salvação», porque, sempre unida de modo misterioso e subordinada a Jesus Cristo Salvador, sua Cabeça, tem no plano de Deus uma relação imprescindível com a salvação de cada homem. Para aqueles que não são formal e visivelmente membros da Igreja, « a salvação de Cristo torna-se acessível em virtude de uma graça que, embora dotada de uma misteriosa relação com a Igreja, todavia não os introduz formalmente nela, mas ilumina convenientemente a sua situação interior e ambiental. Esta graça provém de Cristo, é fruto do seu sacrifício e é comunicada pelo Espírito Santo ». Tem uma relação com a Igreja, que por sua vez « tem a sua origem na missão do Filho e na missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai ».

No. 21. Quanto ao modo como a graça salvífica de Deus, dada sempre através de Cristo no Espírito e em relação misteriosa com a Igreja, atinge os não cristãos, o Concílio Vaticano II limitou-se a afirmar que Deus a dá « por caminhos só por Ele conhecidos ». A teologia esforça-se por aprofundar a questão. Há que encorajar esse esforço teológico, que sem dúvida serve para aumentar a compreensão dos desígnios salvíficos de Deus e dos caminhos que os realizam. Todavia, de quanto acima foi dito sobre a mediação de Jesus Cristo e sobre a « relação única e singular» que a Igreja tem com o Reino de Deus entre os homens — que é substancialmente o Reino de Cristo Salvador universal —, seria obviamente contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões, como se estes fossem complementares à Igreja, ou até substancialmente equivalentes à mesma, embora convergindo com ela para o Reino escatológico de Deus.

Não há dúvida que as diversas tradições religiosas contêm e oferecem elementos de religiosidade, que procedem de Deus, e que fazem parte de « quanto o Espírito opera no coração dos homens e na história dos povos, nas culturas e religiões ». Com efeito, algumas orações e ritos das outras religiões podem assumir um papel de preparação ao Evangelho, enquanto ocasiões ou pedagogias que estimulam os corações dos homens a se abrirem à ação de Deus. Não se lhes pode porém atribuir a origem divina nem a eficácia salvífica ex opere operato, própria dos sacramentos cristãos. Por outro lado, não se pode ignorar que certos ritos, enquanto dependentes da superstição ou de outros erros (cf. 1 Cor 10,20-21), são mais propriamente um obstáculo à salvação.

No. 22. Com a vinda de Jesus Cristo Salvador, Deus quis que a Igreja por Ele fundada fosse o instrumento de salvação para toda a humanidade (cf. At 17,30-31). Esta verdade de fé nada tira ao fato de a Igreja nutrir pelas religiões do mundo um sincero respeito, mas, ao mesmo tempo, exclui de forma radical a mentalidade indiferentista « imbuída de um relativismo religioso que leva a pensar que “tanto vale uma religião como outra” ». Se é verdade que os adeptos das outras religiões podem receber a graça divina, também é verdade que objetivamente se encontram numa situação gravemente deficitária, se comparada com a daqueles que na Igreja têm a plenitude dos meios de salvação. Há que lembrar, todavia, « a todos os filhos da Igreja que a grandeza da sua condição não é para atribuir aos próprios méritos, mas a uma graça especial de Cristo; se não corresponderem a essa graça, por pensamentos, palavras e obras, em vez de se salvarem, incorrerão num juízo mais severo ». Compreende-se, portanto, que, em obediência ao mandato do Senhor (cf. Mt 28,19-20) e como exigência do amor para com todos os homens, a Igreja « anuncia e tem o dever de anunciar constantemente a Cristo, que é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), no qual os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou todas as coisas consigo ».

http://www.padrehenrique.com/index.php/doutrina-catolica/269-site-montfort-tradicionalistas-integristas-e-males-congeneres-

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Missal de São Pio V


Caro e paciente Visitante meu, somente para que os leitores menos familiarizados com a guerra que os sites tradicionalistas (que são muitos) fazem contra a Missa no rito do Missal de Paulo VI, gostaria de esclarecer que o grande cavalo da batalha desses grupos é a Bula Bula Quo Primum Tempore, de São Pio V, datada de 1570. Nesta bula, o Papa promulga o Missal Romano reformado por determinação do Concílio de Trento. Lá para as tantas, explicitando a promulgação, com a linguagem solene e peremptória própria dos papas dos séculos anteriores, o Santo Padre Pio V afirma: “A fim de que todos, e em todos os lugares, adotem e observem as tradições da Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, decretamos e ordenamos que a Missa, no futuro e para sempre, não seja cantada nem rezada de modo diferente do que esta, conforme o Missal publicado por Nós, em todas as Igrejas...” Mais adiante, o Papa afirma: “Quanto a todas as outras sobreditas Igrejas, por Nossa presente Constituição, que será valida para sempre, Nós decretamos e ordenamos, sob pena de nossa indignação, que o uso de seus missais próprios seja supresso e sejam eles radical e totalmente rejeitados; e, quanto ao Nosso presente Missal recentemente publicado, nada jamais lhe deverá ser acrescentado, nem supresso, nem modificado”. São estes “para sempre” o cavalo de batalha dos tradicionalistas: nunca, jamais, de nenhum modo, em tempo algum poder-se-ia alterar o rito da Missa tal como Pio V o aprovou! Ora, afirmar isto é algo totalmente fora de propósito e teologicamente errôneo! Dou somente alguns motivos:

1. É necessário compreender o contexto desta Bula. A Igreja estava reagindo à Reforma protestante, que difundiu erros graves contra a fé católica. Muitos desses erros tocavam os sacramentos, sobretudo a Eucaristia. Um dos modos que a Igreja julgou eficaz para combater o erro e manter a unidade da fé foi desencorajar o uso dos vários ritos de celebração da Missa, ritos que existiam em várias regiões da Europa. Só a título de exemplo: o rito ambrosiano, na Diocese de Milão, o rito próprio da Diocese de Braga, o rito de Dijon, ainda hoje com alguns resquícios entre os monges trapistas, o rito da Grenoble, guardado pelos monges cartuxos, o rito moçarábico, em regiões da Espanha, etc. Por isso mesmo, na sua Bula, São Pio V determina que somente é permitido que permaneçam sendo usados os ritos que tenham mais de 200 anos. Interessante que o santo Papa nunca pensou que em toda a Igreja deveria existir somente o rito do missal que ele estava aprovando. Os ritos ocidentais com mais de 200 anos poderiam continuar existindo; sem contar os venerabilíssimos ritos das Igrejas orientais católicas ou ortodoxas, como a liturgia da São Basílio ou a de São João Crisóstomo, que a Igreja sempre teve em alta conta... Se a grande maioria dos ritos ocidentais desapareceu não foi por proibição de São Pio V, mas por obra dos monges beneditinos de Solesmes, na França, que no século XIX fizeram todo um trabalho de exaltação do rito romano com sua sobriedade, e crítica a aspectos dos outros ritos. Era uma época de forte centralização romana na Igreja, por motivos históricos válidos e compreensíveis.

2. O Santo Padre Pio V, com a linguagem que usou, jamais pensou em proclamar como um “dogma” o seu Missal! Um papa – qualquer papa – somente pode falar de modo definitivo e infalível em dois casos: 1) Quando proclama ou ensina “ex cathedra” sobre fé e moral, nunca sobre disciplina litúrgica não revelada e 2) Quando, interpretando o magistério ordinário do inteiro Colégio dos Bispos sobre fé e moral, proclama que uma determinada doutrina de fé e moral pertence à fé católica tal como revelada por Deus – e isto de modo definitivo (foi o caso da doutrina segundo a qual as mulheres não podem receber a ordenação sacerdotal. Esta sim, é definitiva e irreformável!). Fora disso, o Papa não pode falar de modo definitivo! São Pio V, coitado, apenas promulgou uma Bula para aprovar o belíssimo Missal, fruto da reforma litúrgica do Concílio de Trento! Nunca, em quinhentos anos, se pensou que o Missal seria irreformável! A prova disso é que o Bem-aventurado João XXIII, antes do Vaticano II, fizera uma pequena modificação no Cânon Romano, acrescentando à lista dos santos aí citados, o nome de São José, esposo da Virgem Maria. Pela interpretação dos tradicionalistas, jamais João XXIII poderia ter feito isso!

3. Nenhum Papa é obrigado a manter as normas disciplinares de um outro. O Papa somente não pode mudar aquilo que é de fé e moral revelada e, portanto, faz parte do Depósito da Fé! Quanto ao resto, ele tem plena autoridade na Igreja! O Papa atual não é são Pio V: é Bento XVI, como o da reforma litúrgica pós-Vaticano II era o Servo de Deus Paulo VI, de santa memória! Cada um, no seu tempo, gozou de poder supremo, imediato, episcopal e pleno na Igreja por vontade do próprio Senhor.

4. É importante recordar que sempre a liturgia da Missa, desde as origens, vem passando por reformas e evoluções – é coisa normal. Compete ao Papa a última palavra sobre esses assuntos. É verdade que o Missal de Paulo VI é fruto de uma reforma bastante profunda em relação ao Missal anterior. O atual Papa reconhece isso. Ele admira e vê muitos méritos no atual Missal, mas lamenta que não se tenha preservado mais do antigo Missal. Pessoalmente, eu penso assim também: a reforma litúrgica não foi de todo feliz... Pode-se gostar ou não dessa reforma de Paulo VI; o que não se pode é afirmar que ela é heterodoxa ou ilícita! O que não se pode também – e o atual Papa nunca o fez – é absolutizar o Missal de São Pio V de modo totalmente impertinente e unilateral! É uma triste ignorância do que é a liturgia, de como ela faz parte da perene e ao mesmo tempo dinâmica Tradição da Igreja e como ela evolui e evoluirá sempre no decorrer da história.

5. É totalmente falso que o Missal de Paulo VI deturpe ou macule ou mutile a fé católica! O Missal deve ser utilizado, interpretado e vivenciado no contexto de toda a doutrina da Igreja e não como um texto isolado em si mesmo, pois que a oração da Igreja, sobretudo a litúrgica, brota da sua vida e da sua fé e, ao mesmo tempo, as exprime!

6. Por outro lado, os tradicionalistas têm razão quando deploram e rejeitam todos os abusos e loucuras cometidas nos últimos anos na liturgia em nome de uma tal de “criatividade”, compreendida de modo totalmente contrário ao pensamento da Igreja e ao magistério dos últimos papas! Quantas vezes tenho denunciado isso neste blog! Se o Missal de Paulo VI fosse usado como a Igreja pede e determina, muito desse mal-estar poderia ser evitado!

7. Quero deixar bem claro que é possível e plenamente legítimo amar e apreciar a beleza do rito da Missa segundo o Missal de são Pio V e desejar celebrar a Eucaristia nesse rito. O que atrapalha e é errado é refutar o Vaticano II, acusar Paulo VI e absolutizar (= endeusar), como se fosse determinação eterna, uma norma de um Papa que nunca teve a intenção de dar um alcance absoluto a suas palavras! O Missal de São Pio V foi um a mais na longa evolução da litúrgica da Igreja. A "Missa de Sempre", a que se referem insistentemente os tradicionalistas, é o Sacramento da Eucaristia, seja em que rito legítimo seja celebrada: rito romano, melquita, maronita, malaber, malankar, ucraniano, copta, armeno, etíope, bizantino paleoeslavo, etc...

Observação minha: Só, a título de esclarecimento, uma questão interessante: E se São Pio V tivesse pensado realmente em decretar que o seu Missal seria para sempre, os papas seguintes poderiam mudar isso? Poderiam, perfeitamente! São Pio V teria (o que não fez) exorbitado nas suas prerrogativas! Um Papa somente pode determinar para sempre o que pertencer ao Depósito da Fé. Sobre o modo de celebrar a Eucaristia o que pertence ao Depósito da Fé é que deve ser celebrada por um sacerdote validamente ordenado, que o povo de Deus concorre na celebração, que deve haver liturgia da Palavra e liturgia eucarística, que se devem usar como matéria o pão e o vinho (com água). Sobre o restante, em questão de rito, a Igreja tem plena autoridade de dispor e determinar... Aliás, essa história de “não poder mudar nada” é o mesmo argumento que os ortodoxos usam para acusar os católicos de terem mudado o Credo, acrescentando o Filioque. Isso porque eles se apegam a uma expressão fora de contexto, presente no Concílio de Calcedônia: “Depois de termos estabelecido tudo com toda a possível acríbia e diligência, o santo Sínodo ecumênico decidiu que ninguém pode apresentar, escrever ou compor uma outra fórmula de fé ou julgar ou ensinar de outro modo”... Pois bem: o Credo do Missal de são Pio V traz o “acréscimo” do Filioque, que a Igreja latina fez ao Símbolo niceno-constantinopolitano na Alta Idade Média! Os tradicionalistas que absolutizam a Bula Quo Primum Tempore, deveriam também, para serem coerentes, dar razão aos ortodoxos e afirmar que a Igreja católica todinha caiu em heresia porque acrescentou o Filioque ao Credo! Como se pode ver, é necessário saber manejar as categorias da teologia de acordo com seus princípios epistemológicos e hermenêuticos. Do contrário, haja tempestade em copo d’água e haja bobagem dita com ares de douta erudição!

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terça-feira, 31 de maio de 2011

Missa de Sempre ou Missa de Paulo VI? Site Montfort um doce veneno...


Apareceu no site Montfort uma forte reação ao que escrevi sobre o referido site e a respeito da Missa de São Pio V como ele apresenta e defende (procure aqui o meu texto)... Não o transcreverei aqui e não indicarei o local do artigo, pois penso, sinceramente, que não vale a pena. Somente, a quem interessar possa, digo quanto segue, como sacerdote católico que deseja estar em plena, sincera e filial comunhão com a Igreja e seus legítimos pastores:

1. Reitero tudo quanto afirmei. O site Montfort desautoriza o Papa Paulo VI e seus sucessores e, assim, põe-se em rota de colisão com a Igreja. A fidelidade à Igreja católica não é a uma Igreja idealizada, mas à Igreja de hoje, com seus pastores e seus desafios!

2. Apesar de desejar ser sinceramente católico, esse site tem feito mal a muita gente que, sem critérios suficientes, termina caindo numa visão estreita do que é o cristianismo, a Igreja e a liturgia católica, com a boa fé e o triste engano de ser fiel à Tradição. A Tradição aí é confundida com imobilismo e rigidez... É esta miopia no modo de compreendê-la que chamo de tradicionalismo. O cristianismo é tradicional, não tradicionalista ou reacionário!

3. De modo gravíssimo, o pessoal do site Montfort desautoriza e tenta esvaziar o Concílio Vaticano II. É o mesmo erro dos que tentam esvaziar o Concílio de Trento e o Concílio Vaticano I. Todo católico deve ter o Vaticano II em tanta estima e considerção quanto qualquer outro concílio ecumênico. Com os mesmos argumentos tortos do pessoal do Montfort, há aqueles que desejam reduzir os concílios pós 1054 a concílios gerais do Ocidente. Exagero vai, exagero vem - e quem periclita é a fé católica e a unidade da Igreja!

4. O site Montfort adota uma visão meio paranóica, vendo conspiração maçônica e modernista em toda parte! O modernismo foi um erro combatido a seu tempo. Ainda hoje influencia certa teologia. Mas, não tem o menor sentido viver numa cruzada paranoicamente anti-modernista! Acusam de modernismo grandes teólogos do século XX, como Henri de Lubac e Yves Congar e denigrem a memória do grande teólogo Hans Urs von Balthasar! Todos esses teólogos eminentes e santos, apesar de serem somente padres, foram feitos cardeais por João Paulo II Magno e são queridíssimos de Bento XVI. Quanto a de Lubac, Ratzinger o considera um de seus mestres! Será que João Paulo II e Bento XVI são hereges modernistas? Ou será que são ignorantes tolos, que nem percebem o perigo desses teólogos? O site Montfort e outros sites tradicionalistas alardeam fidelidade ao Papa e depois minam-lhe a autoridade; citam o que interessa dos livros de Ratzinger, mas ignoram solenemente que o mestre teológico de Ratzinger é de Lubac! O Papa, para eles, serve somente no que lhes convém! É o mesmo raciocínio do pessoal da Teologia da Libertação! Os extremos se tocam...

5. O articulista do site Montfort foi injusto e desleal para comigo ao afirmar que defendo a ressurreição imediatamente após a morte. Não é verdade! Sempre critiquei duramente tal impostação! A ressurreição é um processo que se inicia logo após a morte, com a glorificação da alma, e terá sua consumação com a ressurreição corporal, no final dos tempos. É isso que ensino; é isso que a Igreja crê e a Congregação para a Doutrina da Fé reafirmou há alguns anos. E só isso. Não se deveria impugnar um sacerdote por " eu ouvi dizer que" e por suposições infndadas... Seria bom fazer um exame de consciência! No entanto, sei que o meu modo de fazer teologia não agradaria ao pessoal do Montfort. Sou de outra escola e sou plenamente católico, sem restrições a papas ou concílios. Até me criticam por chamar de "Magno" a João Paulo II, afirmando que a Igreja não lhe deu esse título. A verdade, é que não aceitam realmente o Papa João Paulo... Quanto ao título "magno", não é a Igreja quem o dá, mas a própria história pela boca das gerações. "Magno" não é título religioso! Por isso, Alexandre Magno, Pompeu Magno, Constantino Magno, Carlos Magno... Posso chamar João Paulo II de Magno (Grande), sim! Posso e devo, porque ele o foi: homem da Tradição, consciente do presente e aberto ao futuro! Nunca foi um tradicionalista enferrujado, peneumatômaco (= assassino do Espírito)! Assim, "Magno", o chamou o Cardeal Sodano na homilia da Missa do dia seguinte à sua piedosa morte ("João Paulo, o Grande"); assim o chamou Bento XVI na sua primeira palavra após a eleição: "Depois do Grande Papa João Paulo II"; assim muitos o chamam na Europa... Estou bem acompanhado, portanto!

6. Quanto à discussão sobre o poligenismo ou monogenismo, é questão absolutamente aberta (não adianta citar erroneamente a Humani Generis de Pio XII, que não se pronunciou de modo infalível). Qualquer teólogo católico dirá isso. Nenhum católico é obrigado a pensar que a humanidade veio de um só casal. Eu defendo claramente o poligenismo, mas respeito quem pensa diversamente, pois não é assunto fechado. O problema do pessoal do Montfort é que também não aceita outra leitura da Escritura a não ser a que despreza o estudo dos gêneros literários (recomendado vivamente deste o tempo de Pio XII!)... É triste quando a fé tem que enterrar a cabeça para não ver a realidade e já não leva a sério as descobertas sérias da ciência! Que ironia: o pessoal do Montfort, que tem tanta raiva dos protestantes, nisso, é igualzinho aos protestantes fundamentalistas pentecostais dos EUA, que desejam proibir que se ensine a evolução nas escolas!

7. O problema do pessoal do Montfort é muita vontade de conhecer a teologia católica, mas sem os pressupostos teológicos necessários. Por falta de uma criteriologia no que diz respeito aos instrumentos hermenêuticos da ciência teológica, cai-se, então num fundamentalismo de dar pena – e me dá mesmo, sinceramente, porque esse pessoal, com seu zelo, poderia fazer um bem imenso à Igreja. Por outro lado, é doença intelectual mesmo dizer "odeio tudo que é moderno". E é contraditório, pois se escreve isso com o teclado de um moderno computador, usando a internet, o meio mais moderno de comunicação! Pensem na esquizofrenia!

8. Não pretendo polemizar, mas repito: cuidado com o site Montfort, pois está se afastando do sentir com a Igreja... É o caminho que leva à heresia e ao cisma. É bom evitá-lo! Queira Deus que os jovens não se deixem levar por essas idéias obsessivas... É uma pena, porque a absolutização da própria Missa de São Pio V (em si, bela e legítima, mas chamada erroneamante de "Missa de Sempre" devido a um endeusamento, uma absolutização imprópria da liturgia de uma época determinada) terminará por fazer com que muitos Bispos neguem a permissão para celebrá-la, já que começa a se tornar uma bandeira do tradicionalismo (no sentido negativo mesmo) e do integrismo! Eu mesmo, que nada tenho contra esse belo rito, jamais o celebraria por quem me pedisse com essa mentalidade integrista; penso que nenhum Bispo de responsabilidade e senso eclesial fá-lo-ia!

Que pena! Repito: cuidado com o site Montfort: está fazendo mal; parece doce católico, mas é veneno! Descobri que aquele articulista lá não é tão sincero e honesto intelectualmente como eu pensava. Na verdade, é um bom sofista que adora arengar feito galo de briga, vendo heresia e perigo por todo lado! E só!


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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Excessos litúrgicos - CV II - Site Montfort


Não sei se por influência daquele site chamado “Monfort” ou se por outro motivo, têm aparecido jovens com o desejo de participar da Santa Missa no rito de S. Pio V ou, pelo menos, no rito do Missal de Paulo VI em latim.

É um direito dos fiéis católicos participarem da Missa segundo o missal anterior ao atual. Basta que o Bispo diocesano julgue conveniente o pedido e determine uma igreja para a celebração.

No entanto, se esse desejo nascer de uma visão reacionária contra o Concílio Vaticano II e contra o Missal atual, promulgado pelo Papa Paulo VI – e esta é a visão do site Monfort –, tal desejo e tal pedido não podem ter cidadania na Igreja.

Quem nega a autoridade do Concílio Vaticano II e suas determinações ou quem refuta o Missal de Paulo VI, aprovado pela autoridade de um Papa legítimo e acolhido por todo o Episcopado e por toda a Igreja, afasta-se gravemente da comunhão de sentimento com a Igreja de Cristo. Isso é, pelo menos, temeridade, além de uma enorme soberba: pensar que compreende melhor a fé católica e lê melhor a Tradição que o próprio Episcopado em comunhão com o Sucessor de Pedro!

É assim: quando o Diabo não derruba pelo menos, ataca pelo mais!

No outro extremo está a contínua bagunça por parte do clero na celebração da Missa, num teimoso desrespeito ao Missal de Paulo VI e às normas litúrgicas da Igreja. De nada – de nada mesmo! – adiantaram os documentos de João Paulo II, da Congregação para o Culto Divino e de Bento XVI: cada um continua fazendo como bem quer e entende... E fica tudo por isso mesmo! Atualmente, chique é inventar moda na Missa! Cada um inventa a sua, pensando que descobriu a pólvora e inventou a roda!É assim: um extremo leva a outro; excesso chama excesso...



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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Site Montfort


“Cuidado com o site Montfort, pois está se afastando do sentir com a Igreja… É o caminho que leva à heresia e ao cisma. É bom evitá-lo! Repito: cuidado com o site Montfort: está fazendo mal; parece doce católico, mas é veneno! O site Montfort desautoriza o Papa Paulo VI e seus sucessores e, assim, põe-se em rota de colisão com a Igreja. Sugiro, portanto, aos meus caros Visitantes, muita prudência ao visitar o referido site, sabendo que estão entrando em contato com opiniões de um grupo que não está em plena sintonia com o sentimento da Igreja e de seus pastores, correndo, assim, o risco de afastarem-se da plena comunhão com a Igreja.”(Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju)

Meus caro e paciente Leitor, coloco aqui uma série de textos que escrevi com o intuito de esclarecer a quem interessar possa sobre as aberrações teológicas do site Montfort. Trata-se de um ideário muito perigoso, pois que no intuito de ser muito católico, induz à formação de uma seita, um grupelho de apegados a um tradicionalismo bobo, sob o pretexto de Tradição. Com isso, negam toda a Tradição da Igreja, que é aquela de comunhão serena, leal e sincera com o Sucessor de Pedro e os Bispos em comunhão com ele. O pessoal do site Montfort quer tomar o lugar do Papa e do episcopado como últimos critérios de intérpretes da Tradição e da fé da Igreja. Terminarão fora da comunhão visível da Igreja, como os lefebvrianos...

A iniciativa de reunir num só lugar o que escrevi é para facilitar que o Leitor tenha uma visão do tema. Eis os textos:

Site Montfort... Não é tão católico quanto gostaria de ser!

Caros Visitantes, várias pessoas têm perguntado sobre as idéias e opiniões do site Montfort. Trata-se de um site católico, de pessoas que, penso, sejam sinceras.

No entanto, as idéias expressas nesse site não são expressão do sentir da Igreja. Há nele alguns graves problemas teológicos, que podem levar a uma deturpação da fé católica e chegar mesmo a uma ruptura com a Igreja.

Eis alguns pontos, entre outros:

1. Uma triste confusão entre Tradição e tradicionalismo, que termina por motivar um apego a formas e expressões do catolicismo que não são normativas nem obrigatórias nos dias atuais.

2. Alguns documentos do Magistério da Igreja são lidos de modo fundamentalista, fora do contexto histórico que lhes deram origem. O resultado é uma teologia torta, fechada e que em muito pouco exprime a genuína fé católica.

3. Há uma clara tendência de desvalorizar e menosprezar o Concílio Vaticano II. Isto é absolutamente inadmissível! O Concílio tem tanta autoridade quanto os concílios anteriores. Não se pode responder aos exageros “progressistas” da interpretação conciliar com os exageros “tradicionalistas” e integristas! Não se deve ser mais papista que o Papa! Um bom católico estará sempre em sincera comunhão com o Papa – e os papas Beato João XXIII, Servo de Deus Paulo VI, Servo de Deus João Paulo I, Servo de Deus João Paulo II Magno e Bento XVI sempre defenderam o Vaticano II na sua integridade e procuram coibir os excessos que possam existir na interpretação do Concílio. Combater o Vaticano II é colocar-se em choque com o Magistério papal e com o Colégio Episcopal, que são assistidos pelo Espírito Santo. Eis aqui um perigoso caminho que peca por presunção de ter mais discernimento que os legítimos pastores da Igreja, a quem o prometeu sua assistência! Toda vez que isso aconteceu, terminou-se numa triste heresia e em doloroso cisma...

4. Há um endeusamento da Missa de São Pio V que é errado, fora de contexto e trai a grande tradição litúrgica da Igreja. A Igreja tem, teve e terá sempre o direito e o dever de modificar seus ritos, de acordo com as circunstâncias e o discernimento da legítima autoridade apostólica, desde que não fira a essência mesma da estrutura sacramental. Nunca passou pela cabeça do Papa São Pio V que o missal por ele aprovado fosse eterno, perpétuo e irretocável! Isso é totalmente descabido e contrário à grande Tradição da Igreja! Nem os ritos primitivos, praticados pelos Apóstolos, tiveram essa pretensão de irretocabilidade! Essa idéia vem deu ma leitura que peca gravemente no seu método hermenêutico... Aqui acontece o que acontece com os protestantes fundamentalistas quando lêem a Bíblia! É verdade que tem havido graves distorções na liturgia no Brasil e no mundo, mas não se corrige tais problemas com soluções erradas e artificiais. Notem os meus leitores que o Papa Bento XVI é um amigo da Missa de São Pio V, mas não cai nos exageros dos tradicionalistas nem em desautoriza em nada o Concílio Vaticano II e o Missal de Paulo VI, tão legítimo quanto o trindentino.

Não duvido da boa fé desse irmãos do site Montfort e admiro seu desejo de transmitir a fé católica, mas lamento muito que confundam a fé da Igreja com uma determinada mentalidade, estreitando o frescor do Evangelho e desconhecendo que a Igreja é o Povo de Deus reunido como Corpo de Cristo e feito Templo do Espírito Santo peregrinando na história “entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus” até a Pátria eterna. Não se pode confundir a sensibilidade da Igreja em determinada época com a sensibilidade que deve perdurar para sempre...

Sugiro, portanto, aos meus caros Visitantes, muita prudência ao visitar o referido site, sabendo que estão entrando em contato com opiniões de um grupo que não está em plena sintonia com o sentimento da Igreja e de seus pastores, correndo, assim, o risco de afastarem-se da plena comunhão com a Igreja... O que ali houver de bom, aproveitem; o que tiver gosto de um tradicionalismo que se afasta do sentir do Papa e do Colégio Episcopal, evitem e não sigam...

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